
A Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul é uma iniciativa inovadora no combate à fome. Atualmente, possui outros 25 Bancos de Alimentos associados em 30 cidades do estado, além de operações em Santa Catarina e no Paraná, beneficiando mais de 964 instituições carentes. Desde sua criação, distribuiu mais de 85 milhões de quilos de alimentos, equivalente a 255 milhões de refeições para pessoas vulneráveis.
A entidade coordena a coleta, a armazenagem e a distribuição de alimentos às entidades carentes credenciadas, além de colaborar com projetos de segurança alimentar e saúde nas mesmas. Seu trabalho atende a pessoas de todas as idades, gêneros, etnias e religiões, tanto em áreas urbanas quanto rurais, demonstrando um compromisso abrangente com a segurança alimentar e o bem-estar das comunidades atendidas.
Até a pandemia de Covid-19, o Banco de Alimentos sustentava-se com doações presenciais de alimentos realizadas diretamente em sua sede ou em eventos específicos como o Sábado Solidário. A pandemia teve um impacto significativo no números da fome no Brasil, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, gerando:
1. Aumento da Insegurança Alimentar: com o fechamento de empresas e a perda de empregos, muitas famílias viram sua renda diminuir ou desaparecer completamente, tornando difícil ou impossível comprar alimentos suficientes e nutritivos. Segundo dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (de 2022), a pandemia agravou a fome no Brasil, que tinha 33,1 milhões de pessoas sem o que comer naquele ano. Eram 14 milhões de brasileiros a mais em insegurança alimentar grave em 2022, na comparação com 2020.
2. Desigualdade Social Acentuada: a pandemia ampliou as disparidades sociais pré-existentes no Brasil. As famílias de baixa renda e os grupos marginalizados foram os mais afetados, enfrentando dificuldades ainda maiores para acessar alimentos adequados.
3. Interrupção na Distribuição de Alimentos: as medidas de restrição e o fechamento de fronteiras afetaram a cadeia de suprimentos, levando a interrupções na produção, distribuição e disponibilidade de alimentos em algumas regiões.
4. Impacto sobre Programas de Assistência Alimentar: programas de assistência alimentar, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa Bolsa Família, tiveram que se adaptar para atender às novas demandas e restrições impostas pela pandemia. Com muitas escolas fechadas, muitas crianças perderam refeições cruciais para seu desenvolvimento.
5. Aumento da procura por alimentos gratuitos: a crise social ampliou – e muito – a procura por instituições de caridade que oferecessem alimentos gratuitos ou a preços reduzidos para famílias em situação de vulnerabilidade.
6. Aumento da “concorrência”: com o clamor social, muitas ONGs voltaram seus esforços para a distribuição de alimentos. Outras tantas ONGs surgiram, além de iniciativas individuais e coletivas sem a formalização necessária. Uma concorrência do bem causou uma debandada de recursos do tradicional Banco de Alimentos.
Nunca antes do início da pandemia, o Banco de Alimentos havia dito um “não” para uma ONG em busca do pão de cada dia. Quando isso ocorreu, segundo o presidente do Banco de Alimentos, o sr. Paulo Renê Bernhard, foi um dos momentos mais tristes da história da instituição. O agora, “novo normal” impulsionou o Banco de Alimentos a fazer diferente. Tínhamos repensar tudo e agir. Muitas pessoas dependiam sua sobrevivência disto.
Com o objetivo claro de se reinventar, a solução proposta deveria ser implementada com custo perto do zero, pois todos recursos que entram no Banco de Alimentos são direcionados para a compra e distribuição de comida.
Com o objetivo de ampliar o número de empresas doadoras e de valorizá-las frente à opinião pública criamos, em 2023, um selo de certificação social, o BAH. Toda empresa certificada pode usar o selo referendado e uma parte do valor pago em cada produto é destinado ao Banco de Alimentos, gerando uma nova fonte de arrecadação de recursos para a entidade através do licenciamento social.
O selo BAH – Heróis do Banco de Alimentos, tornou-se também um reconhecimento aos nossos Heróis do dia a dia. A cada amanhecer, empresas, voluntários e pessoas muito especiais em todo o estado estão fazendo uso do poder mais incrível que existe no universo, a solidariedade. A ideia foi deixar bem claro que quem apoia o Banco de Alimentos é um herói de verdade, que está ajudando a vencer o inimigo mais poderoso que existe, a fome. De fácil identificação, as organizações certificadas podem usar o selo BAH em suas diversas mídias (redes sociais, site, materiais diversos e frota de veículos) e em embalagens de seus produtos, fomentando um comportamento positivo na sociedade, para que todas as pessoas tenham o poder de escolha entre produtos e serviços que tenham ou não o selo BAH, o certificado de combate à fome. O selo tornou-se um símbolo de união para que todos, empresas, voluntários e sociedade, se unam à luta para combater e vencer a fome, formando um time muito mais forte que a própria Liga da Justiça da Marvel.
A estratégia foi implementada em 2 momentos: de agosto até dezembro de 2023 foram realizadas ativações com empresas e a certificação pelo Banco de Alimentos por aquelas que cumpriam os requisitos mínimos. A partir de janeiro de 2024 entrou no ar a campanha que publicizou esta corrente do bem. A RBS novamente apoiou esta ação inovadora de licenciamento social e está veiculando desde o início uma campanha que estimula as pessoas a comprarem produtos e optarem por empresas de serviços certificadas com o selo.
O selo e sua campanha contribuíram para que a Rede de Bancos de Alimentos do RS continuasse a atender a quase 1.000 organizações sociais em todo o Estado, como creches, casas de idosos e de recuperação, associações de bairros. São essas instituições que estão no dia a dia dando apoio, alimento e esperança de uma vida melhor às famílias que mais necessitam.
Como resultado, a digitalização das doações gerou um acréscimo na ordem de mais de 1 milhão de quilos de alimentos somente através do e-commerce Doe Alimentos. Essa quantidade representa mais de 3 milhões de refeições na mesa dos gaúchos. Outro número significativo da campanha foi no aumento da quantidade de doadores: mais de 30 mil pessoas foram engajadas e se cadastraram no site Doe Alimentos, contribuindo, desta forma, com doações únicas e recorrentes de cestas básicas.
Desde o seu lançamento, diversas empresas já foram certificadas, como grupo GBEOX, Naturovos e Yara. Outras, como a cooperativa Santa Clara, além de estampar o selo em seus produtos e canais de comunicação, estão impulsionando a corrente positiva com campanhas próprias usando e divulgando o selo.
Toda estratégia de reposicionamento digital do banco de Alimentos foi desenvolvida em parceria com a Conjunto Comunicação. Usamos de muita criatividade e estratégica para conseguir tirar do papel ideias com impacto social relevante e com verba zero, pois todo e qualquer recurso dentro do Banco de Alimentos é direcionado para o seu objetivo maior: acabar com a fome no Rio Grande do Sul. E, com diversas mãos, estamos ajudando a acabar com este inimigo poderoso.
